Considerar as obras de arte como geradoras de experiências estéticas, possibilita aproximar-se das fronteiras entre as diferentes formas de arte e cultura de uma maneira diferente e mais enriquecedora do que aquela baseada em critérios classificadores tradicionais.
Geertz(1983), nos mostra que o interessante da obra cultural não é tanto seu caráter prescritico, definidor de um estilo de vida, mas a constante interação sistêmica com todas as áreas simbolicas que a compõe.
Não podemos dizer que há culturas fechadas, senão sistemas em contínua e fluente interação, em que se cruzam imaginários, gerando constantemente novos significados e renovando incessantemente as relações.
Do ponto de vista educacional, é inutil prestar atenção nas essências culturais, enquanto suas aplicações estão constantemente lhe atribuindo novos significados. Acredito que é bom para as propostas multiculturalistas em educação, que nunca se perda de vista o questionamento sobre a origem dos valores que muitas vezes se apresentam como essenciais ou característicos de uma cultura, assim como sobre a posição que ocupam seus defesensores no jogo ndas hegemonias sociais,políticas e econômicas presentes em seus contextos culturais.
Jacqueline Chanda (2004), em seu trabalho intitulado "Ver o outro através de nossos próprios olhos: problemas na educação multicultural", lamenta a forma inadequada como a educação artística do seu país incorporou elementos de outros contextos culturais, especialmente africanos, em seus estudos de arte,especificamente, se refere a certa incapacidade de alguns de seus colegas de ver o "outro" e suas produções artísticas á partir do seu próprio contexto de origem.
Na minha opinião, pelo menos duas questões que escapam à educadora:
A primeira é considerar muitos desses produtos como arte já é uma ressignificação própria de formas culturais distintas, a maioria das vezes, do contexto em que esses produtos foram criados.
A segunda é quando falamos, de "os olhos do outro", ou qualquer termo equivalente, referindo -nos a contextos culturais diferentes do nosso,não estamos submetendo a criticas o jogo de legitimação das distintas vozes que, sem dúvida, existe na comunidade de origem dos produtos. O que nos interessa são as transformações de sentido e suas razões, os jogos de poder e hegemonia que perpetuam ou transgridem. É por isso que digo que as fronteiras interculturais estão definidas, porque quando focamos nesse jogo, percebemos que as mudanças de sentido não ocorrem necessariamente próximas aos limites tradicionais entre as culturas, se é que isso existe, mas se dão com a mesma intensidade tanto no interior dessas fronteiras, como em seu contato com o que esta fora delas.
Uma das principais funções que podemos outorgar ao ensino da arte centrado na experiência é a de possibilitar que todas as vozes sejam ouvidas, inclusive aquelas que as práticas tradicionais de ensino ignoram ou minimizam.
O Debate Metodologico: A questão da interpretação
Concepção da arte como experiência e relato aberto, combinada com uma perspectiva crítica da educação, podem se articular diferentes estratégias metodológicas:
- O enriquecimento das "molas"(influências) da experiência estética e de vida;
- O jogo dialético e a redescrição ironista;
- O reequilibrio entre a análise e a emoção, através da prática da "leitura inspirada".
O Jogo Dialético e a Redescrição Ironista como fundamento de uma nova atuação docente
A metafora de Richard Rorty sobre a atitudeironista é uma das mais bem sucedidas dos ultimos tempos, para Rorty aquele que, na tarefa de conhecer, exclui toda a pretensão de fazer com a verdade.
O ironista descrito por Rorty usa a técnica de provocar mudanças inesperadas de configuração por meio da transição entre terminologias: "Seu método é a descrição e não a dedução(lógica)(.../...) de objetos e acontecimentos em um jargão, formado em parte, por neologismos, na esperança de encorajar as pessoas a adotá-lo e difundi-lo". Podemos dizer que um dos pilares do método ironista é a redescrição covertida em uma epécie de "critica cultural". O interessante sobre o ironista rotyano, é que oferece um bom material para tecer um novo perfil do educador artístico e fundamentar nossas práticas educativas de forma mais adequada às diferentes condições sociais e culturais.
Uma educação orientada por esses critérios constantemente encoraja o surgimento de novos jogos de linguagem e o confronto dialético, não porque estão em busca de uma finalidade, mas porque essa estratégia traz novas maneiras de ver o mundo e liberta a imaginação(Greene,2005). A adequação de uma perspectiva ironista ao campo do ensino da arte, nos convida a repensar nossa ideia de interpretação de sobretudo de compreensão em nossa atuação como docentes.
Em termos rortyanos, o que nos educadores, buscamos em nossa interação com as obras de arte é redescrevê-las em um novo jargão, com a esperança de que esse jargão possa se espalhar e abrir caminho para novos jargões, ou seja, temos a esperança de progredir na mudança de vocabulário que esta fazendo de nós e de nosso meio, os melhores possíveis.
"Leitura Inspirada": O Reequilibrio entre a Análise e a Emoção
Tanto Dewey como Rorty dão a tônica sobre a interação entre a obra de arte e a experiência de vida,considerando que esta ligação constitui a finalidade de nossa relação com as artes, eles indicam claramente que depois da crítica analítica chegou o momento de nos deixarmos levar sem medo para viverciarmos as obras de arte, para nos envolver cognitiva e emocionalmente com elas, desenvolvendo em sua plenitude cada experiência estética. Indo para o campo especifico da prática educativa, considero que as estratégias de compreensão não devem ficar exclusivamenteno nível analítico-cognitivo, como é habitual na perspectiva crítica, também devem progredir simultâneamente no nível emotivo-estético.
Na perspectiva pragmatista o proposito dea compreensão estética seria o enriquecimento da experiência, ao passo que a análise deveria ficar em segundo plano. A análise deve servir para situar a obra em um contexto cultural, nunca para substituir ou reproduzir plenamente a experiência da obra de arte
Ver obras de arte não é apenas tentar achar o seu significado,mas sim , ve-las a luz de outras obras de arte, de outros textos,de experiências passadas ou das experiências de outras pessoas. Essa é a difrença entre o que Rorty chama de leituras metodicas - as que sabem exatamente o que queremde uma obra de arte - e as leituras inspiradas- ou seja, aquelas guiadas pelo "apetite por poesia".
O Debate sobre a finalidade da educação: A criação de um ''Eu'' próprio e a participação solidária em um "Nós" Os fundamentos estéticos, filosóficos e educativos trazem como consequencia a necessidade de projetar nossos objetivoseducacionais para alem da alfabetização visual, do conhecimento da arte, por mais profundo que este seja, ou da sempre indispensável critica cultural.
educacionais complementares e convergentes: o enriquecimento da própria experiência pessoal e o surgimento da solidariedade baseada na ampliação do "nos", uma forma mais democrática que a mera aceitação do "outro". Ambos os objetivos indicam muito bem o caminho que a educação artísticadeve tomar para oferecer alternativas de melhoria para os diversos tipos de sociedade e de estudantes que hoje temos diante de nós. Buscar o significado dos produtos estéticos no seu contexto de origem, como sugerem algumas didáticas, multiculturalistas, é apenas uma das possibilidades de trabalho oferecidas, pois o fato de compreende-las como mediadores de valores, crenças, desejos e fantasias, nos estimula a tirar muito mais proveito de suas qualidades estéticas ou artísticas. Enquanto nós cultivamos nossa identidade, nos tornamos sensíveis à linguagem dos outros, nos equipando com uma bagagem cognitiva e efetiva.
O Debate Metodologico: A questão da interpretação
Concepção da arte como experiência e relato aberto, combinada com uma perspectiva crítica da educação, podem se articular diferentes estratégias metodológicas:
- O enriquecimento das "molas"(influências) da experiência estética e de vida;
- O jogo dialético e a redescrição ironista;
- O reequilibrio entre a análise e a emoção, através da prática da "leitura inspirada".
O Jogo Dialético e a Redescrição Ironista como fundamento de uma nova atuação docente
A metafora de Richard Rorty sobre a atitudeironista é uma das mais bem sucedidas dos ultimos tempos, para Rorty aquele que, na tarefa de conhecer, exclui toda a pretensão de fazer com a verdade.
O ironista descrito por Rorty usa a técnica de provocar mudanças inesperadas de configuração por meio da transição entre terminologias: "Seu método é a descrição e não a dedução(lógica)(.../...) de objetos e acontecimentos em um jargão, formado em parte, por neologismos, na esperança de encorajar as pessoas a adotá-lo e difundi-lo". Podemos dizer que um dos pilares do método ironista é a redescrição covertida em uma epécie de "critica cultural". O interessante sobre o ironista rotyano, é que oferece um bom material para tecer um novo perfil do educador artístico e fundamentar nossas práticas educativas de forma mais adequada às diferentes condições sociais e culturais.
Uma educação orientada por esses critérios constantemente encoraja o surgimento de novos jogos de linguagem e o confronto dialético, não porque estão em busca de uma finalidade, mas porque essa estratégia traz novas maneiras de ver o mundo e liberta a imaginação(Greene,2005). A adequação de uma perspectiva ironista ao campo do ensino da arte, nos convida a repensar nossa ideia de interpretação de sobretudo de compreensão em nossa atuação como docentes.
Em termos rortyanos, o que nos educadores, buscamos em nossa interação com as obras de arte é redescrevê-las em um novo jargão, com a esperança de que esse jargão possa se espalhar e abrir caminho para novos jargões, ou seja, temos a esperança de progredir na mudança de vocabulário que esta fazendo de nós e de nosso meio, os melhores possíveis.
"Leitura Inspirada": O Reequilibrio entre a Análise e a Emoção
Tanto Dewey como Rorty dão a tônica sobre a interação entre a obra de arte e a experiência de vida,considerando que esta ligação constitui a finalidade de nossa relação com as artes, eles indicam claramente que depois da crítica analítica chegou o momento de nos deixarmos levar sem medo para viverciarmos as obras de arte, para nos envolver cognitiva e emocionalmente com elas, desenvolvendo em sua plenitude cada experiência estética. Indo para o campo especifico da prática educativa, considero que as estratégias de compreensão não devem ficar exclusivamenteno nível analítico-cognitivo, como é habitual na perspectiva crítica, também devem progredir simultâneamente no nível emotivo-estético.
Na perspectiva pragmatista o proposito dea compreensão estética seria o enriquecimento da experiência, ao passo que a análise deveria ficar em segundo plano. A análise deve servir para situar a obra em um contexto cultural, nunca para substituir ou reproduzir plenamente a experiência da obra de arte
Ver obras de arte não é apenas tentar achar o seu significado,mas sim , ve-las a luz de outras obras de arte, de outros textos,de experiências passadas ou das experiências de outras pessoas. Essa é a difrença entre o que Rorty chama de leituras metodicas - as que sabem exatamente o que queremde uma obra de arte - e as leituras inspiradas- ou seja, aquelas guiadas pelo "apetite por poesia".
O Debate sobre a finalidade da educação: A criação de um ''Eu'' próprio e a participação solidária em um "Nós" Os fundamentos estéticos, filosóficos e educativos trazem como consequencia a necessidade de projetar nossos objetivoseducacionais para alem da alfabetização visual, do conhecimento da arte, por mais profundo que este seja, ou da sempre indispensável critica cultural.
educacionais complementares e convergentes: o enriquecimento da própria experiência pessoal e o surgimento da solidariedade baseada na ampliação do "nos", uma forma mais democrática que a mera aceitação do "outro". Ambos os objetivos indicam muito bem o caminho que a educação artísticadeve tomar para oferecer alternativas de melhoria para os diversos tipos de sociedade e de estudantes que hoje temos diante de nós. Buscar o significado dos produtos estéticos no seu contexto de origem, como sugerem algumas didáticas, multiculturalistas, é apenas uma das possibilidades de trabalho oferecidas, pois o fato de compreende-las como mediadores de valores, crenças, desejos e fantasias, nos estimula a tirar muito mais proveito de suas qualidades estéticas ou artísticas. Enquanto nós cultivamos nossa identidade, nos tornamos sensíveis à linguagem dos outros, nos equipando com uma bagagem cognitiva e efetiva.
O Debate sobre o poder da arte e seu valor para a reconstrução social
Ensinar a compreender as obras de arte não é , portanto, apenas desvendar os mecanismos de poder implicítos nas obras e, assim libertar os individuos, e sim, fornecer informações completas sobre sobre os princípios, crenças e desejos alheios, de forma que esse conhecimento nos possibilite ser solidários as causas justas. O ensino da arte é ideal para desenvolver uma identidade leve, casual,permeavel e aberta á aceitação do outro, bem como, eficaz na transformação e reconstrução social.
Algumas consequências
Repensar nossa atuação como educadores e os eixos do nosso trabalho são os grandes desafios que temos pela frente, não é uma tarefa fácil em razão das próprias caracteristicas do território onde devemos desenvolver nossa ação e pelo peso que ainda tem em nossa cultura o antigo imaginário escolar. Uma perspectiva pragmatista nos incita a buscar a melhoria da capacidade sensível para viver esteticamente , como centro das ações educacionais, e aperfeiçoar o desenvolvimento de uma ferramenta para o desenvolvimento pessoal do indivíduo, ou seja, uma ferramenta útil para melhorar a vida.
Talvez seja a hora de perceber que a escola de hoje, se não abrir suas portas e romper com seus costumes, no seu papel de cofre intransponível do conhecimento, de costas para a vida; não será o lugar mais apropriado para aproximar os estudantes do legado cultural e muito menos para tomar esse legado parte de seu imaginário estético e útil para suas experiências de vida.
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